Segunda-feira, 31 de Maio de 2010
Quarta-feira, 26 de Maio de 2010
Terça-feira, 25 de Maio de 2010
QUINTA COLUNA: por Fra Diavolo

Bloco Central
A ideia de um Governo de Bloco Central, de que tanto se tem falado nos últimos dias, assenta em duas premissas: primeira, que seja necessário; segunda, que reflicta um projecto comum. As últimas sondagens parecem favorecer teoricamente tal solução, com uma larga maioria dos inquiridos pelo barómetro da Eurosondagem a defenderem um Governo de coligação que possa enfrentar os dias de crise agravada que se perfilam no negro horizonte dos portugueses. No entanto, se considerarmos as premissas iniciais, a pergunta impõe-se: haveria realmente condições para, hoje, o PS e o PSD se lançarem num casamento contra-natura? Mais: qual seria o papel do CDS/PP em tal solução? Os socialistas tudo fizeram, desde a eleição de Passos Coelho, por comprometer o PSD nas piores medidas de aperto do cinto. Necessitado de uma “credibilização” instantânea da sua liderança, o líder social-democrata fez-lhes a vontade e submeteu-se a uma colagem que muitos consideraram excessiva e desnecessária. Agora, alarmado com o atrevimento de Sócrates, que já o comparou a um parceiro de tango, veio demarcar-se: “Não se iluda o PS nem com conversas de valsas nem de tangos”. Mas é tarde para emendar esse passo. Ao sujeitar-se ao papel de muleta do Governo, o PSD colocou-se no centro do debate sobre o Bloco Central, sem que tenha definido com clareza uma política à Direita. Ora, é com o CDS que Passos Coelho teria de se entender, antes de medir forças à Esquerda. Caso contrário, poderá vir a encontrar-se perante uma pressão insuportável do eleitorado do “centralão” no sentido de “articular” as suas políticas com as de Sócrates. E aqui voltamos, inevitavelmente, às premissas de um Bloco Central. Pois o PS só dá um chouriço a quem lhe der um porco; e deseja tanto partilhar lealmente o Poder quanto a Madonna gostaria de entrar para um convento.
Segunda-feira, 24 de Maio de 2010
Sexta-feira, 21 de Maio de 2010
Quarta-feira, 19 de Maio de 2010
QUINTA COLUNA: por Fra Diavolo

Desplante
Diógenes, o Cínico, andava com uma lanterna pelas ruas de Atenas, procurando desesperadamente um homem honesto e virtuoso. Não evoluímos muito desde esse remoto século IV antes de Cristo. Nos últimos dois anos, os mais reputados técnicos portugueses de economia e finanças vinham prevenindo e avisando, alertando e antecipando: a crise profunda estava estampada na nossa cara. Sabia-se de ciência certa que os peritos de notação viriam, mais tarde ou mais cedo, dar-nos negativa. Sabia-se que, mais cedo que tarde, a União Europeia nos pediria contas pesadas por erros, atrasos e desleixos. Era óbvio que os impostos tinham de subir, que a Segurança Social seria forçada a apertar a malha, que a despesa pública teria de ser reduzida para o patamar do realismo. Mas este cenário negro, por mais que se impusesse pela lógica e pela evidência, não convinha ao Governo, que tinha os olhos postos nas eleições de Setembro de 2009. “A crise aproxima-se do fim”, afiançava o ministro das Finanças três meses antes de irmos a votos. “É o princípio do fim da crise”, anunciava Sócrates à beira das urnas. Os impostos não iam subir, as obras megalómanos seguiam em frente, vivíamos no Paraíso. Mesmo depois de empossado, o novo Governo manteve o discurso das praias resplandecentes e dos céus azuis durante algum tempo, para não perder imediatamente a face – chegando ao desplante de fazer aprovar um orçamento de faz-de-conta que (vê-se agora) sabia não poder manter. De repente, o volte-face: afinal, é hora do grande “sacrifício colectivo” e do “esforço patriótico”. Supremo descaramento! Num último rasgo de hipocrisia, decreta-se agora um corte de 5 por cento nos salários de membros do Governo, deputados, autarcas, gestores do Estado e reguladores – para “dar o exemplo”. Mas o que são 5 por cento dos ordenados de nababo desses detentores de cargos públicos? Dois jantares? Uma gravata de seda? Com “sacrifícios” destes podem eles bem. O povo é que não.
FOGO AMIGO: por António Marques Bessa
Um Estado falidoA crise não é tão geral como a pintam, ou não andassem atrás de Berlim a pedir esmolas ao governo alemão. O esquema não passa por dever biliões e isso ser esquecido. Os biliões e os juros terão de aparecer, nem que para isso nos suguem
Por muito que se queira tapar o sol com a peneira, os luminosos raios do astro ferem a vista. Portugal, devido a sucessivas administrações em que estiveram envolvidos partidos, como o CDS, o PCP, o PS e o PSD, foi conduzido a uma situação vergonhosa a que por pudicícia não se chama de bancarrota. Andavam todos entusiasmados com grandes obras, grandes reformas, enormes investimentos em moinhos de vento, em subsídios a torto e a direito, enfim, num esbanjamento de recursos de um país pobre que nem um Estado que tivesse petróleo faria. Um dia teria de vir à tona o segredo represado na barragem dos castores. É pena que seja a mesma geração a gramar o golpe de Estado de Abril e esta bolorenta situação de pirralhos teimosos e estúpidos.
As contas
O aparelho de Estado gasta dinheiro e produz pouco, o que leva muitos a exigir “pouco Estado”. Mas o que gasta tem de vir de taxas sobre actividades que se desenvolvem no seu território: taxas sobre o capital, taxas sobre o trabalho e taxas sobre a terra e os imóveis em geral. Se isto não chega, os grandes administradores do Estado, eleitos pelos pacóvios, recorrem a dois instrumentos: pedem dinheiro aos contribuintes, aos bancos nacionais, às seguradoras (e a isso chamou-se dívida pública interna). Se isso não chegar para as barrigas vorazes dos herdeiros dos capitães de Abril, pede-se no estrangeiro para comprar no estrangeiro (e chamou-se a isso dívida externa). Se isso ainda não chegar, vendem-se bens do Estado e pede-se mais dinheiro no estrangeiro, depois de internamente já não ser possível obter mais porque os próprios bancos andam a pedir dinheiro no estrangeiro. Quanto mais se pede mais caro se torna o dinheiro, porque mesmo para o dinheiro funciona o mercado. Ninguém empresta a falidos a não ser para os deixar totalmente secos e nus. Os bancos não são Misericórdias, nem a UE é uma Instituição muito compreensiva para os países governados por tolos, que pensam que é de Bruxelas que lhes tem de ser fornecido gratuitamente tudo o que necessitam.
A crise não é tão geral como a pintam, ou não andassem atrás de Berlim a pedir esmolas ao governo alemão. O esquema não passa por dever biliões e isso ser esquecido. Os biliões e os juros terão de aparecer, nem que para isso nos suguem. Mas quem teve a culpa senão uma Administração que pensava que vivia debaixo uma árvore de patacas? Ciclo da Índia e viva a riqueza. Ciclo do Brasil e viva a riqueza. Ciclo de África e viva a riqueza. Ciclo da Europa e viva o quê? Pois, aqui, estamos plenamente equivocados, dramaticamente enganados. Ciclo da Europa é igual a fim de maus governos e desbaratamento de meios escassos. É a Europa técnica, desenvolvida, rica, culta, nórdica, que fala inglês e alemão, que é o modelo de convergência. Não sãos miseráveis do sul que constituem objectivo de coisa alguma: esses poderão constituir-se em parasitas para desinfestar, e os seus territórios, áreas para onde os mais miseráveis da Europa devem ir acolher-se e encontrar um canto entre os sem-abrigo.
Por muitas voltas que a elite governante dê, deparar-se-á com o problema das despesas e dos gastos no livro brutal do Deve/Haver. Aumentar as receitas foi o que se tentou. Diminuir as despesas, nem se fala nisso. Ninguém dispensa os jantares à conta do Estado, a frota de carros, os contínuos venerandos, os cozinheiros do Paço, os milhares de assessores e os milhares de secretárias de carne e osso. Em resumo: ninguém quer ir plantar batatas na sua terrinha. Enquanto der, dá. Depois, logo se verá. Assim pensavam o Conde Andeiro e o Bispo de Lisboa.
Um ponto muito interessante
No que toca a receitas, num Estado equilibrado, com tecido empresarial vivo, as empresas (IRC) contribuem em mais de cinquenta por cento para o Orçamento, sendo certo que o imposto sobre pessoas singulares (IRS) e os impostos indirectos (sisa, imposto automóvel, imposto sobre a gasolina, etc.) são um factor importante a ter em conta. Portugal não tem minas, não tem petróleo, não tem nada que interesse, a não ser o mar e as ilhas pela sua posição estratégica no Atlântico, por isso depende por inteiro dos impostos indirectos. As empresas abrem falência, geram contabilidade falsa, denominada engenharia financeira, pagam pouco IRC. Logo, os trabalhadores têm que arcar com a má administração no IRS, porque os automóveis não se consomem a um ritmo esperado, nem a gasolina sai para o mercado com a rapidez prevista. Depender dos impostos indirectos é de um país atrasado, de estruturas distorcidas, que não souberam nunca o seu lugar. Não é de agora. Levam-se centenas de anos nesta via. Num tempo em que se podia e devia corrigir tudo isto, é precisamente o momento escolhido para atacar o trabalho (um alvo fácil) e as pequenas empresas (outro alvo fácil). A elite tem medo (e já se comprovou) de atacar as grandes fortunas e os grandes grupos económicos que facturam milhões. E porquê? Eles bem sabem o poder que lá reside, conhecem os seus donos e conhecem igualmente donde vem o dinheirinho para os tornar de pacóvios em grandes senhores de Mercedes. Boa razão assistia ao sociólogo Wright Mills: na política, só vemos os criados. Eu acrescentaria: nunca se viu um criado administrar para o povo: ou rouba o patrão ou serve-o com muito cuidado, não vá ele zangar-se.
Segunda-feira, 17 de Maio de 2010
Sexta-feira, 14 de Maio de 2010
Terça-feira, 11 de Maio de 2010
QUINTA COLUNA: por Fra Diavolo

Equívoco
Há um (pelo menos, um) equívoco na cabeça do senhor Presidente da República: a de que é uma espécie de Papa da política portuguesa, pairando acima das contingências dos simples mortais e permitindo-se uma pose etérea de guru espiritual. Este equívoco está bem à vista desde que o agravamento da crise económica e financeira obrigou os políticos portugueses a fazerem escolhas claras, como no caso paradigmático das chamadas “grandes obras”. Mantendo uma “reserva” exasperante perante aquilo que era mais do que óbvio, o Presidente permitiu o arrastamento da indefinição e a insistência no erro – até que o clamor da sociedade obrigou, finalmente, o Governo a recuar. “Sei bem o que devo fazer”, disse Cavaco. Saberia? É que, por um lado, declarava que “o Presidente da República aponta caminhos mas não interfere nas decisões”; por outro, insistia em que “os portugueses devem confiar no ministro das Finanças”, Teixeira dos Santos, que publicamente tinha expressado total discordância da política do primeiro-ministro; por outro ainda, sublinhava que Portugal “precisa de ponderação nas decisões que têm efeitos no futuro”. Ora, das três, uma. Ou o Presidente é a versão republicana do Rei Constitucional (e, neste caso, nem deve abrir a boca); ou é uma “consciência crítica” do Governo (e, neste caso, deve claramente dizer o que pensa antes de assistir à divisão dos Governos que nomeia); ou é o eco institucional da opinião pública (e, então, há muito deveria ter travado as tentações de “obra” do primeiro-ministro). O que Cavaco Silva não pode fazer é dizer que não interfere, ao mesmo tempo que lança farpas ao Governo e pretende “apontar caminhos”. À deriva no alto mar, Portugal precisa de coragem ao leme. Não de meias-palavras. Cavaco Silva devia pensar nisto, se pretende voltar a ser eleito.
FOGO AMIGO: por António Marques Bessa
Dois partidos social-democratas
Provavelmente, pouco importa discutir em que consiste a social-democracia, porque a informação sobre essa ideologia ficou escondida na Alemanha e remetida para um caixote de lixo, como se fez aqui com o marxismo-leninismo. Importa, sim, é compreender que o PSD e o PS não são assim tão diferentes e não vale a pena andar a fingir que são.
Questões que têm a ver com a história da sociedade portuguesa empurraram o PPD para a social-democracia e cunharam-lhe o nome de PSD. Foi uma caminhada e tanto, guiada pelos barões do partido que queriam um nome europeu, respeitável, com posição cativa no Parlamento Europeu. O PS, alimentado pelos social-democratas alemães, com um forte partido comunista no território, dotado de intenções golpistas, não teve outra solução. Arrumou o marxismo na gaveta, apoiou as revisões constitucionais que o eliminaram do texto fundamental, e marchou alegremente para uma social-democracia também. Forças diversas, mas presentes ao tempo da evolução destas máquinas partidárias, empurraram-nas para o mesmo lugar do espectro político. Pode ser que o PSD seja uma social-democracia mais evolucionista e que o PS esteja numa posição mais jacobina, cheia de gente das lojas. Pode ser que o primeiro tenha mais sentido de Estado e o segundo não compreenda bem a quintarola que administra, tal como as cooperativas nunca compreenderam as quintas que ocuparam no pobre Alentejo.
Todavia, o facto é que entre os dois há pouca diferença e as guerras são para o povo tolo ver. Os problemas portugueses arrastaram-se com estes dois partidos até um exacerbamento louco, que nos faz pensar que aquilo que um não faz o outro não consegue fazer e aquilo em que um erra o outro não é capaz de emendar. A questão vale para justiça: quem julga quem? O que se tem visto, depois de muitas aparentes guerras, é que ninguém tem culpa de nada e tudo fica na mesma como a lesma.
É possível mudar?
Esta pergunta tem sido feita recorrentemente em Portugal, e com boa intenção. Trata-se de saber se as coisas podem melhorar. Acabar com os grandes gatunos, com o banditismo, acelerar a justiça para níveis aceitáveis, securizar a vida do cidadão, acabar com a mania da burocracia, acabar com os privilégios dos que mandam, e seus amigos e capangas, administrar subsídios a quem apresenta produção, deixar criar livremente empresas, criar um tecido social sólido e amigo dos empreendedores, livrarmo-nos dos parasitas que se estendem pelos sindicatos, acabar com as empresas estatais que só dão prejuízo e não servem para nada (caso paradigmático da TAP e da RTP) e começar a preparar pessoas para pensar. Um país não se faz só de inteligência e informação científica, mas isso ajuda poderosamente.
Não sou um fã de Israel, mas não se pode ignorar que um Estado que, quanto a dimensão, é o centésimo mais pequeno do mundo, seja também o que possui 30 prémios Nobel na Química, 26 na Economia, 53 na Fisiologia e Medicina, 47 na Física e 13 na Literatura. Mas por detrás disto está a qualificação da sua mão-de-obra. Quase toda licenciada. É o país que tem mais museus por habitante, mais computadores por habitante, que lidera a investigação médica, que entra no século XXI com mais árvores do que aquelas que tinha, que ocupa o segundo lugar na localização de empresas de desenvolvimento, sendo ultrapassado apenas pelo Sillicon Valley.
Não é por acaso que quatro jovens israelitas tivessem desenvolvido a tecnologia da AOL Internet Messenger ICQ, em 1996; que a tecnologia Pentium MMX tenha sido desenvolvida pala divisão israelita da Intel; que os sistemas de Windows NT e XP tenham sido desenhados pela Microsoft Israel; enfim, que técnicas para diagnosticar doenças nos intestinos, na degenerescência das veias, no coração, estejam a solicitar a atenção dos americanos. Mais: que tenham a melhor rede de segurança interna e a aviação mais segura do mundo.
É certamente pouca gente, como nós. Mas os dirigentes não andam a dormir na forma, não se obcecaram com o medo de represálias internacionais, os físicos fizeram a bomba, os médicos trabalham. A população produz e é religiosa e os estudantes estudam.
Que tal começarmos por contar as árvores e verificar quantas temos a menos na piromania que tomou conta do rectângulo com a fraca qualidade de justiça que pune esta destruição? É possível mudar? Tudo depende de nós. Se quisermos copiar, e em vez de olhar para Bruxelas, não seria mau olhar para o mar. Onde temos a maior parte do território.
Segunda-feira, 10 de Maio de 2010
Sexta-feira, 7 de Maio de 2010
Quarta-feira, 5 de Maio de 2010
Terça-feira, 4 de Maio de 2010
QUINTA COLUNA: por Fra Diavolo

Serviçais
Um regime que começou por prender e exilar os seus melhores empresários, acusando-os do “crime” de serem ricos e criarem riqueza, só podia desembocar nisto: um Estado esbanjador do dinheiro alheio pedindo esmola por esse mundo fora. Tudo estava ao nosso alcance, tudo desbaratámos. Ao logo das últimas três décadas, delapidámos a estabilidade financeira, destruímos a agricultura, acabámos com as pescas e com a indústria, avacalhámos o turismo – e, como cigarras idiotas, transformámos Portugal num país de mangas-de-alpaca. Uma hora de trabalho de um alemão produz mais riqueza real do que um turno completo de um “empregado” português dos “serviços”. Um país de “serviços” é o que somos hoje – prevendo-se, inevitavelmente, a nossa breve transformação num país de serviçais. Esta insanidade (algo ainda mais extraordinário) não nos foi imposta por ninguém: escolhemo-la nós, de cada vez que fomos às urnas renovar o mandato dos sucessivos vendedores de banha-da-cobra por quem nos deixámos enfeitiçar, de cada vez que fechámos os olhos e quisemos acreditar que o seguinte não seria pior do que o anterior. Comprámos o elixir da felicidade instantânea dos governos ideológicos de esquerdas e sub-esquerdas, suportámos a demência gonçalvista e a tirania dos copcães, deixámos entregar o Ultramar com a mesma inconsciência com que agora parecemos preparar-nos para entregar a soberania dos nossos mares, rendemo-nos aos tecnocratas sem miolo e aos falsos liberais da negociata, sucumbimos a políticos feitos de “imagem” e a governantes empenhados na “implementação” do seu próprio enriquecimento. A ignorância espessa da sociedade de “doutores” iletrados pelos “Morangos com Açúcar” é uma risada nos mercados internacionais: os nossos trabalhadores são menos qualificados do que os turcos ou os mexicanos, os nossos empresários ainda são piores. Educámos os nossos filhos para palermas, demos-lhes como horizonte um bmw, um “emprego” e férias em Punta Cana. Aceitámos uma “Justiça” de faz-de-conta, uma Saúde de Terceiro Mundo e uma vida sem alma ou destino. Agora, pagamos.
FOGO AMIGO: por António Marques Bessa
Que problemas são estes?
O problema dos problemas desta República, como das anteriores, é o despesismo e a casa de penhores. Balança-se entre duas realidades: gastar e pedir emprestado, pedir e pôr no prego, endividar-se e pensar, a longo prazo, como pagar o que se pediu, com os juros da praxe, que podem ir subindo, ou não sejam os bancos agiotas que beneficiam forçando as situações.
De conversa em conversa, de um canal televisivo a outro, de debate para debate, a impressão com que se fica é que todos os independentes percebem o problema e que os serventuários da Situação se negam a isso. Aqui não vale invocar estudos de caso, porque o que fizeram aqui e ali não tem significado para os sicários e beneficiários da Situação. Porque os colocaria numa posição caricata e com prejuízo manifesto: político, económico e financeiro.
Estamos perante uma elite político-partidária de cafagestes, sacanas, mentirosos, bandidos comuns, enfim gente que podia fazer parte de qualquer máfia sem os parentes lhe caírem na lama. Mas acontece que isso escapou a este povo de “pacóvios”, como dizia Fernando Pessoa. Por entre os dedos grossos de escavar a terra em busca de trufas para vender aos franceses, escapou-se o País dos seus antepassados. E eles gastaram muito sangue e deram muitos mortos para isto estar aqui onde está, mas para não ser um jogo de rapazinhos de partidos com ar sério e bonacheirão, nem para voltar a ser uma província dos Países Baixos.
Se nem sequer conseguiram vender as colónias, como é possível acreditar que esta malta falhada consiga vender Portugal melhor?
Qual é o problema?
É o estrutural. Aquilo que permanece na raiz moderna do País, na matriz das coisas dos portugueses, que se tornaram maioritariamente pacóvios. Pessoa escreveu, o tal amado Pessoa desta gente: “Se fosse preciso usar de uma só palavra para com ela definir o estado presente da mentalidade portuguesa, a palavra seria provincianismo”. Que, segundo ele, abarcaria três camadas sociais, a saber: o povo, a burguesia e a elite, ou seja, o todo social: um país de provincianos embasbacados. Mas será que algo mudou com deslumbrados pacóvios chegados das ilustres universidades americanas? Não: trata-se, pelos comportamentos exibidos, de uma segunda vaga de pacóvios mais perigosa porque pensa estar ilustrada (ver Fernando Pessoa, “Os Portugueses”, ed. Alma Azul).
E que é que permanece, afinal, para lá do provincianismo dificilmente arredio da mentalidade periférica do país, já denunciada por Pessoa? A incapacidade de produzir para si mesmo, de se alimentar, de trabalhar, de criar riqueza e de ser como os outros. Justamente, é o que se pensaria: um terrível complexo de inferioridade, como atestou o antropólogo emérito Jorge Dias, a noção de que nada vale a pena, a intenção clara de depender do Estado, seja este ladrão, seja este um Estado-Providência sério. Viver ao Deus dará, mas sem incorrer em nenhuma firme convicção religiosa, reclamando o direito à preguiça e às mais estranhas reivindicações, mas não reconhecendo o dever de trabalhar e produzir seriamente.
A Administração, assim entusiasmada por um povo que se entrega à sua arbitrariedade e a deixa fazer tudo, invade o privado, cria legislação que dá para anos de estudo e controvérsia, cria tribunais que não funcionam, desenvolve leis retroactivas, impede a normal vida do cidadão em segurança, limita o uso de pistolas ligeiras como se isso se fosse uma coisa terrível quando os bandidos têm metralhadoras e invadem as casas, enfim, enquanto cria de livre vontade um tecido social a apodrecer dia a dia, afirmando ao mesmo tempo que tudo está melhor. As televisões, note-se bem, sempre com os mesmos comentadores incompetentes, disparam banalidades todos os dias, como se não estivéssemos a caminho de Atenas. Mas, claro, não há outros comentadores. Só aqueles. E porquê?
É bom gastar quando não é do nosso
Não é tão bom gastar dinheiro quando não é nosso? E sobretudo quando fomos pobres, ignaros campónios, desconhecidos, falidos, pessoas sem qualificação e sem nome? Mesmo vigaristas que chegaram à Grande Mesa? Já se pensou, como estou farto de repetir, que somos 10 milhões, que cabemos numa cidade europeia grande e sobrariam casas? Que só precisamos de um Presidente da Câmara? Que fazem tantos deputados permanentemente calados, os mortos da Assembleia, nesse areópago nascido morto? Para que há tantos funcionários públicos para servir 10 milhões de pessoas, e mal, e de mau modo?
O problema dos problemas desta República, como das anteriores, é o despesismo e a casa de penhores. Balança-se entre duas realidades: gastar e pedir emprestado, pedir e pôr no prego, endividar-se e pensar, a longo prazo, como pagar o que se pediu, com os juros da praxe, que podem ir subindo, ou não sejam os bancos agiotas que beneficiam forçando as situações. Portugal inteiro está nas mesmas condições: os indivíduos, enquanto pessoas singulares, já podem abrir falência, as empresas podem fazer o mesmo e agora só falta as dependências estatais deficitárias declararem falência (RTP, ANA, CP, CGD, EDP, GALP, PT). E o próprio Estado, que se tem também vindo a financiar destes grupos mais fortes para pôr dinheiro nos grupos claramente falido.
E, curiosamente, ninguém é responsável por nada, ninguém dá um tiro, ninguém se mexe até ficar com a corda apertada na garganta. Nesse dia enforca-se. Foi melhor, talvez, o homem desesperado ter morto o Sr. Champallimaud, porque desta forma seria possível alguns destes mais espertos considerarem-se alvos a abater, em vez de se considerarem imortais desde jovens, porque lhes faltou experiência de guerra. Se fosse em Angola, nenhum destes tinha emergido; e, se emergisse, não tinha sobrevivido aos primeiros embates verdadeiros de poder. É por isso que andam cheios de sorte e sorriem aos meios de comunicação serventuários. Que pena não termos televisão a sério, para se perceber que são ‘Zés Ninguéns’, como escreveu Wilhem Reich (“Escuta, Zé Ninguém”), ridículos na sua pomposidade de inaugurar um telhado.
Votar com os pés
Mas, se não resolverem o problema, que não é uma quadratura do círculo, vão ter uma super-administração internacional de especialistas verdadeiros que não os vão ensinar: vão dizer-lhes o que fazer e tomar como parte do capital investido alguns bens: tal vez o mar, que era o que eu faria a pacóvios desta natureza.
As despesas públicas e as das empresas estatais falidas têm de cair – as empresas que não o são, ou as suas despesas. O Estado está pesado, bronco e irritante, arrogante e estúpido, mentiroso e com laivos ameaçantes de uso da força. Já não é pessoa de bem. Trate é das Administrações a fingir com pagamento a fingir: a palha. Extermine ministérios já inúteis. Agrupe Direcções-Gerais que não servem para nada e veja se disciplina as despesas dos municípios e fiscaliza eficientemente o funcionamento desses organismos que criou e que temos visto como funcionam: mal e porcamente. Crie uma maneira de emagrecer rapidamente ou vai ter um colapso cardíaco. Com diabetes já anda. Comeu muito açúcar e está gordo em demasia, e a vontade comer mais não o abandona.
O problema é o mesmo de sempre: equilibrar as contas do Estado, e não à custa dos mesmos: da classe média, eternamente sacrificável, até não existir. Mas as pessoas não tolas (o melhor do país) emigram. Pessoas altamente qualificadas.
Vota-se também com os pés. As coisas estão realmente mal e é pena enterrar maniacamente a cabeça na areia para não ver a tempestade chegar, quando ela já se vê perfeitamente no horizonte. Até o Fundo Monetário Internacional já viu. Como é que nós não vemos? Como foi possível Cavaco ser enxovalhado como PR em Praga por um pequeno Presidente que na próxima fase irá prestar homenagem em Berlim, de joelhos curvados? Ele não sabe História ou não tinha resposta? É destes que se faz História triste.
P.S.- Gralha importante: No número de 20 de Abril, na minha Análise, em lugar de se ler “que se acabasse com a comunhão na mão”, deve ler-se, como seria evidente, “que se acabasse com a comunhão na boca”. Na realidade, o Bispado português quer disciplinar os católicos a práticas protestantes, e dar a comunhão na mão é meio caminho andado para a longa marcha para o pão partilhado entre todos numa pobre e crápula imitação da Ceia. É o plano de dessacralização do Mistério. O problema da Nova Gripe deu azo a verificar o interesse em acabar de vez com a prática antiga e respeitosa para com o Pão do Anjos. E deu azo a verificar o poder das Internacionais farmacêuticas, a quem os governos obedeceram sem questões de maior, cumprindo a Agenda.
De conversa em conversa, de um canal televisivo a outro, de debate para debate, a impressão com que se fica é que todos os independentes percebem o problema e que os serventuários da Situação se negam a isso. Aqui não vale invocar estudos de caso, porque o que fizeram aqui e ali não tem significado para os sicários e beneficiários da Situação. Porque os colocaria numa posição caricata e com prejuízo manifesto: político, económico e financeiro.
Estamos perante uma elite político-partidária de cafagestes, sacanas, mentirosos, bandidos comuns, enfim gente que podia fazer parte de qualquer máfia sem os parentes lhe caírem na lama. Mas acontece que isso escapou a este povo de “pacóvios”, como dizia Fernando Pessoa. Por entre os dedos grossos de escavar a terra em busca de trufas para vender aos franceses, escapou-se o País dos seus antepassados. E eles gastaram muito sangue e deram muitos mortos para isto estar aqui onde está, mas para não ser um jogo de rapazinhos de partidos com ar sério e bonacheirão, nem para voltar a ser uma província dos Países Baixos.
Se nem sequer conseguiram vender as colónias, como é possível acreditar que esta malta falhada consiga vender Portugal melhor?
Qual é o problema?
É o estrutural. Aquilo que permanece na raiz moderna do País, na matriz das coisas dos portugueses, que se tornaram maioritariamente pacóvios. Pessoa escreveu, o tal amado Pessoa desta gente: “Se fosse preciso usar de uma só palavra para com ela definir o estado presente da mentalidade portuguesa, a palavra seria provincianismo”. Que, segundo ele, abarcaria três camadas sociais, a saber: o povo, a burguesia e a elite, ou seja, o todo social: um país de provincianos embasbacados. Mas será que algo mudou com deslumbrados pacóvios chegados das ilustres universidades americanas? Não: trata-se, pelos comportamentos exibidos, de uma segunda vaga de pacóvios mais perigosa porque pensa estar ilustrada (ver Fernando Pessoa, “Os Portugueses”, ed. Alma Azul).
E que é que permanece, afinal, para lá do provincianismo dificilmente arredio da mentalidade periférica do país, já denunciada por Pessoa? A incapacidade de produzir para si mesmo, de se alimentar, de trabalhar, de criar riqueza e de ser como os outros. Justamente, é o que se pensaria: um terrível complexo de inferioridade, como atestou o antropólogo emérito Jorge Dias, a noção de que nada vale a pena, a intenção clara de depender do Estado, seja este ladrão, seja este um Estado-Providência sério. Viver ao Deus dará, mas sem incorrer em nenhuma firme convicção religiosa, reclamando o direito à preguiça e às mais estranhas reivindicações, mas não reconhecendo o dever de trabalhar e produzir seriamente.
A Administração, assim entusiasmada por um povo que se entrega à sua arbitrariedade e a deixa fazer tudo, invade o privado, cria legislação que dá para anos de estudo e controvérsia, cria tribunais que não funcionam, desenvolve leis retroactivas, impede a normal vida do cidadão em segurança, limita o uso de pistolas ligeiras como se isso se fosse uma coisa terrível quando os bandidos têm metralhadoras e invadem as casas, enfim, enquanto cria de livre vontade um tecido social a apodrecer dia a dia, afirmando ao mesmo tempo que tudo está melhor. As televisões, note-se bem, sempre com os mesmos comentadores incompetentes, disparam banalidades todos os dias, como se não estivéssemos a caminho de Atenas. Mas, claro, não há outros comentadores. Só aqueles. E porquê?
É bom gastar quando não é do nosso
Não é tão bom gastar dinheiro quando não é nosso? E sobretudo quando fomos pobres, ignaros campónios, desconhecidos, falidos, pessoas sem qualificação e sem nome? Mesmo vigaristas que chegaram à Grande Mesa? Já se pensou, como estou farto de repetir, que somos 10 milhões, que cabemos numa cidade europeia grande e sobrariam casas? Que só precisamos de um Presidente da Câmara? Que fazem tantos deputados permanentemente calados, os mortos da Assembleia, nesse areópago nascido morto? Para que há tantos funcionários públicos para servir 10 milhões de pessoas, e mal, e de mau modo?
O problema dos problemas desta República, como das anteriores, é o despesismo e a casa de penhores. Balança-se entre duas realidades: gastar e pedir emprestado, pedir e pôr no prego, endividar-se e pensar, a longo prazo, como pagar o que se pediu, com os juros da praxe, que podem ir subindo, ou não sejam os bancos agiotas que beneficiam forçando as situações. Portugal inteiro está nas mesmas condições: os indivíduos, enquanto pessoas singulares, já podem abrir falência, as empresas podem fazer o mesmo e agora só falta as dependências estatais deficitárias declararem falência (RTP, ANA, CP, CGD, EDP, GALP, PT). E o próprio Estado, que se tem também vindo a financiar destes grupos mais fortes para pôr dinheiro nos grupos claramente falido.
E, curiosamente, ninguém é responsável por nada, ninguém dá um tiro, ninguém se mexe até ficar com a corda apertada na garganta. Nesse dia enforca-se. Foi melhor, talvez, o homem desesperado ter morto o Sr. Champallimaud, porque desta forma seria possível alguns destes mais espertos considerarem-se alvos a abater, em vez de se considerarem imortais desde jovens, porque lhes faltou experiência de guerra. Se fosse em Angola, nenhum destes tinha emergido; e, se emergisse, não tinha sobrevivido aos primeiros embates verdadeiros de poder. É por isso que andam cheios de sorte e sorriem aos meios de comunicação serventuários. Que pena não termos televisão a sério, para se perceber que são ‘Zés Ninguéns’, como escreveu Wilhem Reich (“Escuta, Zé Ninguém”), ridículos na sua pomposidade de inaugurar um telhado.
Votar com os pés
Mas, se não resolverem o problema, que não é uma quadratura do círculo, vão ter uma super-administração internacional de especialistas verdadeiros que não os vão ensinar: vão dizer-lhes o que fazer e tomar como parte do capital investido alguns bens: tal vez o mar, que era o que eu faria a pacóvios desta natureza.
As despesas públicas e as das empresas estatais falidas têm de cair – as empresas que não o são, ou as suas despesas. O Estado está pesado, bronco e irritante, arrogante e estúpido, mentiroso e com laivos ameaçantes de uso da força. Já não é pessoa de bem. Trate é das Administrações a fingir com pagamento a fingir: a palha. Extermine ministérios já inúteis. Agrupe Direcções-Gerais que não servem para nada e veja se disciplina as despesas dos municípios e fiscaliza eficientemente o funcionamento desses organismos que criou e que temos visto como funcionam: mal e porcamente. Crie uma maneira de emagrecer rapidamente ou vai ter um colapso cardíaco. Com diabetes já anda. Comeu muito açúcar e está gordo em demasia, e a vontade comer mais não o abandona.
O problema é o mesmo de sempre: equilibrar as contas do Estado, e não à custa dos mesmos: da classe média, eternamente sacrificável, até não existir. Mas as pessoas não tolas (o melhor do país) emigram. Pessoas altamente qualificadas.
Vota-se também com os pés. As coisas estão realmente mal e é pena enterrar maniacamente a cabeça na areia para não ver a tempestade chegar, quando ela já se vê perfeitamente no horizonte. Até o Fundo Monetário Internacional já viu. Como é que nós não vemos? Como foi possível Cavaco ser enxovalhado como PR em Praga por um pequeno Presidente que na próxima fase irá prestar homenagem em Berlim, de joelhos curvados? Ele não sabe História ou não tinha resposta? É destes que se faz História triste.
P.S.- Gralha importante: No número de 20 de Abril, na minha Análise, em lugar de se ler “que se acabasse com a comunhão na mão”, deve ler-se, como seria evidente, “que se acabasse com a comunhão na boca”. Na realidade, o Bispado português quer disciplinar os católicos a práticas protestantes, e dar a comunhão na mão é meio caminho andado para a longa marcha para o pão partilhado entre todos numa pobre e crápula imitação da Ceia. É o plano de dessacralização do Mistério. O problema da Nova Gripe deu azo a verificar o interesse em acabar de vez com a prática antiga e respeitosa para com o Pão do Anjos. E deu azo a verificar o poder das Internacionais farmacêuticas, a quem os governos obedeceram sem questões de maior, cumprindo a Agenda.
Segunda-feira, 3 de Maio de 2010
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