Que Castro temos em Cuba?Os terceiro-mundistas exacerbavam a importância de Cuba, enquanto terra do sol socialista. Vi isso no 25 de Abril de 1974, em Portugal, em que os imbecis que governavam pela força não viam outra coisa que não a ideia de ajudar Cuba, a sanguessuga das Caraíbas, e entre eles cumpre destacar imbecis governamentais da dimensão miserável do Almirante Rosa Coutinho, do austero mas estúpido Cunhal, do intrigante tenente-coronel Melo e mesmo, em certa altura, do Eanes.Creio que a notícia mais espectacular que recebemos nestes últimos tempos foi a que nos deu Fidel Castro, tornada pública pelos meios habituais. Castro, vacilante, apoia a oligarquia familiar na ilha das desgraças do povo coitado, na ilha das férias dos venturosos turistas.
Mas que é Castro fez? Não produziu doutrina política que o caracterizasse, mas apenas se mostrou camaleão capaz de mudar da democracia radical para um marxismo-leninismo igualmente radical. Mas produzir teoria estava para lá suas capacidades de galego exportado, pese embora os elogios que lhe teceram todos os hipócritas deste mundo apodrecido.
Ele limitou-se a aproveitar o que havia no mercado das ideologias, numa sopa de marxismo. Meteu no saco o jacobinismo afrancesado, o pragmatismo, o ecletismo, o caudilhismo típico, o empirismo e o terrorismo como terapia geral. Regis Debray bem dizia que o castrismo era uma revolucionarismo empírico que se encontrou face a face com o marxismo. O castrismo não existe porque só serviu de modelo quando entrou em crise a teoria do Estado-Guia, e é feito de peculiarismos e pequenas ideias do guia da revolução.
Os terceiro-mundistas, ao contrário, exacerbavam a importância de Cuba, enquanto terra do sol socialista. Vi isso no 25 de Abril de 1974, em Portugal, em que os imbecis que governavam pela força não viam outra coisa que não a ideia de ajudar Cuba, a sanguessuga das Caraíbas, e entre eles cumpre destacar imbecis governamentais da dimensão miserável do Almirante Rosa Coutinho, do austero mas estúpido Cunhal, do intrigante tenente-coronel Melo e mesmo, em certa altura, do Eanes. Cuba era o futuro de Portugal, daí uma importação maciça de Cuba de imbecilidades, desde máquinas a rum, desde açúcar acima do preço do mercado, até produtos medicinais. Uma história posta de lado, mas tão engraçada, hoje. Será que a quem lá foi nestes tempos tratar das cataratas, tratar do corpo ao sol tropical, às meninas baratas, comer nas salas reservadas e ver a miséria, não lhes tocou numa corda vital?
O Castrismo
E em que se decifra essa herança castrista vinda da Serra? Bom. Os grandes cientistas parecem ter chegado acordo no que significava:
1) uma forma de luta revolucionária e nova,
2) um modelo de construção do socialismo,
3) um regime político.
Não há mais nada a não ser o isolacionismo a que votaram os ilhéus. Antiga colónia da Espanha. O que interessa notar é que como forma de luta falhou. Che Guevara, que pretendeu accionar uma luta nos mesmos passos, foi morto e sepultado e tudo o que podia suportar que essa luta teria um triunfo local morreu na América e no Congo, onde os Kabilas não gostaram do Che, tanto como os propagandistas americanos e europeus de um bandido comum. Essa via para a luta era uma brincadeira de mau gosto, de modo que os talibãs têm coisas melhores para oferecer que os atrasados métodos do argentino tuberculoso.
Quanto à construção do socialismo estamos falados. É isso mesmo que Castro veio dizer. É um insucesso e ele faz bem em apoiar o irmão nas reformas. Ao menos ficam os Castros da Galiza ao mesmo nível que os Ceaucescu na Roménia. Veremos quem os enforca na ilha utópica de Hemingway, antes de fugirem para a Florida sob escolta americana. Falhou o modelo? Mas que pena, porque todos sabíamos há muito tempo que a ilha estava falida com o governo do Estado, como qualquer país que se entrega excessivamente à elite dirigente, formada por famílias ideológicas e não de sangue.
Falhou o Regime político. Muda apenas sob o novo Ulisses, navega para outro lado, procura soluções de investimento e propriedade privada, busca que o Estado saia a recuar e pelo bom caminho que lhe salve as cabeças. Evitam o Thermidor que há muito os esperava. Penso que procuram a suave transição da Praga, mas não são capazes, já neste tempo de raivas e campos eriçados, de chegar a esse desiderato europeu. É demais. Cairão como os outros, rapidamente, de um momento para o outro, perante o clamor das multidões de deserdados. Que pena não haver mais Castros na Galiza, porque sempre haveria a hipótese de estabelecer um jovem governador-geral Castro em Havana.
Os Castro enganaram Dom Pedro I, mas não enganaram o pai experiente, Dom Afonso IV. De Castros sabemos nós. Até de Castros-Laboreiros. E Max Weber continua a acenar com a sua teoria do poder carismático. Se Castro tinha, evaporou-se ao confessar os erros.
De Havana, e do Nosso Agente em Havana, ainda havemos de saber notícias, se Deus quiser. Agora, é certo, os seus produtos mais famosos são manuais: o rum cubano velho e o cigarro bem enrolado na coxa da fabricante final.
É pena que as coisas não se tenham composto, porque diversificavam o planeta. Agora ficamos só com aquele chato pequenino da Coreia do Norte, a fingir que é gente, mas que é um rato raivoso nas mãos dos chineses. O mundo com estes factos torna-se menos rico na sua diversidade de experiências, de modo que os eruditos esperavam uma máquina temporal para os colocar no tempo das Cidades da Grécia, onde a diferença era maior que hoje e não havia estas pequenas tretas de discussão dos tiranos.
Só imagino a falta que nos vai fazer este Castro e seus irmãos nas Caraíbas. Até por causa das férias. É recomendável a importação de jovens Castro da Galiza, que podiam tornar a ilha numa paraíso de traficantes de drogas duras para combater as forças do Satã estado-unidense.