Terça-feira, 31 de Maio de 2011

Portas!!!

Cartoon da edição de 31 de Maio de 2011, por Nuno Tuna

Última Página, edição de 31 de Maio de 2011

Céu e Inferno; 5ªColuna; Pergunta do Diabo; Instantâneo;
Na rua...
O Diabo é um jornal com mais de 35 anos, e essa longevidade a si se deve, caro leitor. Dado como falecido,
desaparecido, extinto ou enfiado debaixo de qualquer ismo, todas as semanas se mostra nas bancas livre e independente. E é lido, a gente sabe.

E, entre cada terça, há uma dezena de profissionais a bater-se pelo melhor jornalismo no País. Sem favores, sem amarras, sem compromissos a não ser um: a verdade. Por si, cá estamos e continuaremos.

Segunda-feira, 30 de Maio de 2011

Sexta-feira, 27 de Maio de 2011

A mudança III

"Em Portugal privilegia-se o ter ao saber"
A nossa falta de capacidade para nos governarmos a nós próprios, é consequência da falta de preparação académica, intelectual, cultural, ética e de percurso de vida das nossas “elites” políticas fruto do atraso endémico de um povo de onde estas putativas “elites” são oriundas.

Em Portugal privilegia-se o ter ao saber, os nossos dirigentes gabam-se de não terem precisado de saber matemática ou línguas para prosperarem. O chamado “marrão” é invariavelmente gozado pelos colegas de turma, os estudantes questionam os professores sobre o facto do que andam a aprender não “servir para nada”. O canudo é visto como forma de ascensão social, de certificação de capacidades que se não têm e não como um símbolo de aprendizagem e saber.

Esta visão é tão aparente que nem o primeiro ministro não lhe foi imune. E não foi imune em duas ocasiões. A primeira na forma atabalhoada como atingiu o tal canudo em engenharia civil, que não o habilitaria para construir casas ou pontes, mas para exibir como título na ascensão política, símbolo de prestígio e acreditação de um percurso que, afinal, é apenas simbólico. O segundo ponto é no programa “Novas Oportunidades” máquina que serve o propósito de ganhar votos estimulando a auto-estima dos portugueses que não tiveram educação adequada durante os anos apropriados à formação. A ideia é genial, é um ovo de
Colombo: todos ficam felizes, o povo adquire diplomas do liceu ao desbarato fazendo uns trabalhos em ritmo acelerado, as pessoas ficam mais confiantes, o que é bom, e muito felizes.

Quinta-feira, 26 de Maio de 2011

Contrasistema: O falso “Estado social” de Sócrates/Teixeira dos Santos

  A Oposição foi conduzida por “nabos”
É necessária muita, muita “lata”, para Sócrates andar a dizer o que se ouve – insisto, com a cumplicidade de certa comunicação social “à rasca” – é necessária muita, muita desfaçatez, para ele, ainda por cima, afirmar que a culpa é dos outros!

Às cenas que o Primeiro-Ministro vem fazendo e as enormidades que vem dizendo, para além de uma vergonhosa cumplicidade de alguma comunicação “social” necessitada de apoios do Estado, espanta-me que ninguém na Oposição lhe responda a preceito.

As eleições são decididas pelo Povo, e não com discursos para as élites.

A não ser que se esteja perante fenómenos de censura, impróprios do um regime democrático, que devem ser publicamente denunciados ao Povo português.

A questão é simples. O Primeiro-Ministro pode dizer o que quiser. Foi ele que trouxe Portugal à presente situação vergonhosa de tutela estrangeira.

O resto é conversa.

Ultrapassar a crise? Comprem mais submarinos!

Para tirar veleidades a uns membros da”comunidade internacional”

Não acreditam que precisamos de mais submarinos? Já vão acreditar.

Em 1926 a situação económica e financeira de Portugal era bastante melhor do que a actual mas, em termos políticos e sociais, estávamos muito pior. De facto os indicadores pelos quais se aferem os dois primeiros âmbitos assim o provam. Aquando do 28 de Maio, a dívida pública era cerca de 63% do PIB; de 1910 a 28 houve um deficit acumulado de 2.684.724 contos (78.900.000 libras); em 1920 os salários referidos aos preços já valiam apenas um terço do que em 1910, e tudo isto apesar de a seguir à IGG se viver sem contas e sem orçamento, já que a classe política da altura não se entendeu sobre como pôr um de pé…

Presentemente a divida pública é já de cerca de 100% do PIB (e não está lá tudo!) – em 1974 era de 15%, e segundo o conceituado docente Santos Pereira, Portugal está na lista dos 10 países mais endividados do mundo. Nem vale a pena falar nos restantes indicadores macro económicos, um verdadeiro filme de terror que a pouco e pouco se vem tornando público.

Quarta-feira, 25 de Maio de 2011

Fogo Amigo: Os demónios do FMI e a classe política

Agora esfregam as mãos e preparam-se para segunda oportunidade
O mal português, desde a Primeira República é este mesmo: um esquerdismo larvar que leva ao assassinato, ao aventureirismo

A propaganda que os partidos de esquerda conseguiram produzir for uma consequente crítica à intervenção do FMI e o ataque à soberania portuguesa. Estes assuntos são míticos porque são aqueles que queriam vender Portugal à URSS com Cunhal que vêm agora com pezinhos de lã reclamar das intervenções anti-soberanas. Os comunistas ainda não aprenderam bem a sua história de traição ao país de destruição por destruição, nem nunca assumiram com humildade que contribuíram como causa eficaz para a destruição das capacidades produtivas da Nação desde 1974. 

Os trotskistas, mais novos, mais tolos, encantados com a atenção que lhes prestam os meios de comunicação, obviamente reproduzem tolices com cara séria ou zangada, como se o país não lhe pagasse há muito o que eles julgam merecer, Dizem que a intervenção é péssima, mas nunca explicam o que fariam em conjunto para dar esplendor ao nobre povo. Dizem coisas vulgares, slogans minimalistas à mistura com patetices que bradam ao esplendoroso Sol.

Votar Coelho

Cartoon da edição de 24 de Maio de 2011, por Nuno Tuna

Segunda-feira, 23 de Maio de 2011

Sábado, 21 de Maio de 2011

A mudança II

A quem custará o TGV
Afirmava eu no primeiro artigo desta série que o gasto no TGV seria um disparate para o país porque não incorpora tecnologia portuguesa, porque terá despesas de manutenção que ninguém conseguiu provar serem inferiores às receitas e porque apenas servirá apenas a um pequeno grupo de pessoas que têm medo de andar de avião, com tarifas mais em conta, para ir a Madrid. É necessário também esclarecer que não é preciso colocar as putativas mercadorias portuguesas (onde estão?) num comboio de alta velocidade para chegarem à Europa frescas! Basta um vulgar de Lineu comboio a cento e cinquenta quilómetros por hora.

Apesar destas objecções José Sócrates Pinto de Sousa, o tal que não governaria com o FMI, continua na obstinação irresponsável do TGV. A quem custará tal irresponsabilidade? Aos nossos netos e bisnetos. A quem lucra tal obstinação? Aos grupos económicos do regime. O problema é que Sócrates pode deixar a coisa tão armadilhada que custe muitos milhões a nós todos varrermos com o TGV, depois da provável derrota eleitoral de quem deixou o país neste descalabro económico e na miséria do desemprego e dos salários reais a decair: um Portugal a empobrecer depois do entristecer de Fernando Pessoa.

Sexta-feira, 20 de Maio de 2011

Da trincheira: PECs FMIs E OUTRAS SIGLAS…

Esmagados por notícias que nada possuem de animador, e sem os motivos agregadores que noutras épocas nos animaram a ousadia, vergamo-nos ante o peso das perspectivas negras que nos vaticinam. Culpa aparte, e sem participar na lamentável tentativa de empurrar as culpas do estado a que chegámos para cima dos outros, a verdade é que, sobre o essencial da resolução estrutural da crise pouco ou nada se fala.

Gostaria de relembrar apenas duas questões fundamentais. A primeira deriva das gravíssimas assimetrias que se vivem em Portugal. Creio que em nenhum país desta fatídica União o fosso entre pobres e ricos seja tão profundo como em Portugal. Ora assim sendo parece-me que no esforço a exigir aos ricos (sim que os há não obstante a crise…) pouco ou nada se fez e, para variar, os maiores encargos recairão sobre a classe média em acelerado processo de extinção. Aqui também era precisa ousadia, coragem e, sobretudo, vontade de mexer no bolso próprio e não apenas, comodamente, no alheio. Mas quem manda, não dando o exemplo, coloca apenas o ónus da resolução da crise, que eles criaram, nos que não habitam o seu “mundo”.

Quinta-feira, 19 de Maio de 2011

Contrasistema: O que é Portugal, hoje

"Paira no ar uma atmosfera de masoquismo"
Desde o 25 de Abril que Portugal vive na mentira, tem estado indefeso ante as propagandas político-sociais mais aberrantes. As elites nacionais não têm tido coragem para uma sua desmistificação, ou, censuradas, não as deixaram ter voz, ou, emburguesadas, não estão para se incomodar.

Face ao que os socialistas fizeram aos Portugueses, como que paira no ar uma atmosfera de masoquismo, mesmo de suicídio nacional.

Masoquismo, na medida em que apesar de todo o sucedido, em vários sectores do eleitorado parece haver uma aceitação, um querer viver com um Governo que lhes tramou a vida. Masoquismo, porque se trata da predisposição de algumas pessoas para sofrer, para aceitar viver ainda pior, ainda com mais sacrifícios, na medida em que, religiosamente, fez do “chuchialismo” o seu clube de futebol.

Suicídio, porque é mais do que evidente que a política socialista nos continuará a arrastar para um desastre nacional ainda pior, nos empurrará para um País sem perspectivas de regeneração, pois mesmo com as medidas impostas pela humilhante intervenção e tutela estrangeira, os socialistas já provaram a sua total incapacidade.

Quarta-feira, 18 de Maio de 2011

O Ocidente refém da sua propaganda

Comparei as afirmações de Hillary à sineta utilizada para reunir o gado
Um dos desejos que muitos leitores muitas vezes me expressam tornou-se realidade. Voltei a ter direito a tempo de antena na comunicação social do sistema. Tratou-se de um programa com uma amplitude global – o BBC World Service. O programa contava também com outros convidados e o tema em debate era as afirmações de Hillary Clinton acerca da falta de respeito para com a democracia e os direitos humanos na China.

Alarmei o apresentador do programa quando comparei as afirmações de Hillary à sineta utilizada para reunir o gado. Eu próprio fiquei surpreso, dada a rapidez com que o apresentador se apressou a defender a América; e ponderei acerca dessa reacção durante todo o programa. Certamente nunca tinha ouvido falar de Abu Ghraib, dos presos de Guantanamo, das prisões secretas da CIA espalhadas por todo o mundo onde se permite a tortura, a invasão e a destruição do Iraque com base em mentiras e falsidades, o Afeganistão, o Paquistão, o Iémen, a Somália e a Líbia. De certeza que o apresentador estaria ciente da hipocrisia de Hillary ao demonizar a China, ao mesmo tempo que ignorava Israel, Mubarak, o Barhein e os sauditas. A fama da China não é impoluta, mas será assim tão má? Porque razão não vimos o ministro dos Negócios Estrangeiros da China a criticar a violação dos direitos humanos e as manipulações eleitorais efectuadas pela América? Porque é que a China não se intromete como nós?

Última Página, edição de 17 de Maio de 2011

Céu e Inferno; 5ªColuna; Pergunta do Diabo; Instantâneo;

Domingo, 15 de Maio de 2011

Finis Mundi: O último homem


Após a invasão do Iraque, Fukuyama começa a aperceber-se do irrealismo em que viviam os seus colegas neoconservadores

O mais citado (normalmente para o refutarem) analista político do hemisfério ocidental, Francis Fukuyama, esteve em Portugal no passado dia cinco de Maio, orador nas Conferências do Estoril deste ano. Mais conhecido pela obra “O fim da História e o último homem” (Gradiva, 1999), a tal que o torna no autor simultaneamente mais citado e refutado do mundo, e pela sua cumplicidade com Samuel P. Huntington, sobre cuja obra “O choque das civilizações”, Gradiva, 1999, ficamos a saber discordar quase em absoluto no decorrer da sua intervenção. Fukuyama foi também um acérrimo crítico da política externa de Clinton, principalmente em relação ao Iraque, próximo da administração Bush, composta por muitos conhecidos e amigos seus, não deixou de aplaudir em determinado momento o belicismo do texano.

Após a invasão do Iraque, contudo, Fukuyama começa a aperceber-se do irrealismo em que viviam os seus colegas neoconservadores, o momento crucial para a sua ruptura com o neoconservadorismo foi precisamente uma conferência em que estes se regozijavam e aplaudiam o “sucesso” da invasão do Iraque para choque de Fukuyama, da opinião de que a operação tinh sido um fiasco e, ainda pior, injustificada uma vez que não se encontraram quaisquer armas de destruição em massa. 

Na altura faz publicar na “Public Interest” o artigo “O momento neoconservador”, em 2004 assume a ruptura com a publicação de “Depois dos Neoconservadores” (Gradiva, 2006) e com a fundação da revista “The American Interest”, surpreso pela ruptura com o movimento neocon americano por parte de uma das suas figuras mais conhecidas, assinei a revista. Com o advento da minha própria revista, “Finis Mundi” (Antagonista, 2011), foi uma questão de tempo até um contacto directo entre as duas partes graças, principalmente, à afabilidade e abertura de Fukuyama. Quem não o tenha ouvido nas Conferências do Estoril, terá que esperar até 2012 para ler o seu livro mais recente, “As origens da ordem política” (Dom Quixote), para conhecer o “novo” Fukuyama.

Quinta-feira, 12 de Maio de 2011

Coluna Truncada: Da amizade

O meu amigo já cá não está fisicamente. Mas deixou sementes.
Outro dia, por razões várias, dei comigo a pensar no cada vez mais importante fenómeno da amizade e como esse mesmo fenómeno tem vindo a deteriorar-se com a mudança das mentalidades. Eu tive, preciosamente, um amigo, desde os bancos da escola, que na época era risonha e franca, até ao dia nefasto em que esse amigo nos deixou de forma inesperada e extemporânea. Foram quase cinquenta anos de convivência, de cumplicidade, de troca de idéias, numa intimidade tal que muitos pensavam que éramos irmãos e, apesar de fisicamente diferentes, gémeos. Nunca fizemos contas, nunca tivemos necessidade de pedir fosse o que fosse, sempre contámos as coisas a dois, numa partilha total e não contabilizavel. As famílias que fomos construíndo ao longo da vida passaram a ser comuns e nunca houve diferença no tratamento que ambos dávamos aos nossos filhos. A lealdade, a disponibilidade, as atenções que mutuamente nos dispensávamos, não entravam em linha de conta porque eram dados adquiridos, não merecedores sequer duma menção passageira. Há dias, em consequência duma situacao inesperada e para mim incompreensível, vi-me, por algum tempo, privado de casa dum dia para o outro, sem apelo nem agravo. 

Sem entrar em pormenores, posso dizer que, vindo de onde veio, este caso teria causado ao meu amigo a mais profunda indignação – mas não surpresa. A outras qualidades de inteligência, esse meu amigo juntava uma capacidade de previsão das acções humanas e conhecimento dos homens que em muito me ultrapassam. Um telefonema, porém, resolveu tudo. Um dos filhos desse meu amigo levou-me de imediato a sua casa, do tamanho duma caixa de sapatos mas espaçosa que baste para a sua grandeza, e disse-me com a simplicidade que herdou do pai: “A casa é tua. O que há, partilha-se. O que não há, inventa-se”. 

Assim. Sem mais nada. Sem que manifestasse a mais pequena curiosidade, sem perguntas que, na sua delicadeza, temia que fossem embaraçosas. 

Estas atitudes não se agradecem, por não ser possível. Não se retribuem, por não terem preço. Mas ficam. E neste dia, quando me sentei para escrever esta crónica, tudo, política, futebol, a camada do ozono, a crise, o desmantelamento da Europa, tudo passou para um cantinho insignificante da minha memoria.
O meu amigo já ca não está fisicamente. Mas deixou sementes. Tudo continua. E o que está em baixo é igual ao que esta em cima. 

Quod erat demonstrandum…

Terça-feira, 10 de Maio de 2011

Segunda-feira, 9 de Maio de 2011

Domingo, 8 de Maio de 2011

Fogo Amigo: A elite da era do vazio

Eles sabem que mentem num limiar perigoso: o da bancarrota
Ninguém, sinceramente, em Portugal, fica indignado para os criticar, lhes enfiar um pé no rabo, arranjar uma forma para se livrar deles

Há povos que são capazes de corrigir a história que lhes bate à porta. Na realidade, são povos que entendem que podem e devem determinar eles próprios a sua vida. Quando a situação se torna insuportável, revoltam-se, despedem os políticos e escolhem direcções úteis que são capazes de sanar os problemas sentidos. 

Todavia, existem outros que se vergam continuamente a sacrifícios insondáveis. Submetem-se sem perguntar a quem, obedecem sem inquirir que manda, tornam-se moldáveis. Os portugueses na Reconquista, com os seus chefes, mataram muita gente; quando quiseram ser chefiados pelo Mestra de Avis enfrentaram, de armas nas mãos, exércitos superiores e chegaram a bom êxito; quando foram convencidos que um liberalismo impossível era um remédio para o atraso, promoveram chacinas e travaram atalhas sangrentas; e os portugueses quando a República se perfilou como outra solução milagrosa lá se alçaram em armas e foram para o campo de combate. Na realidade, não estamos longe de um tempo que tão estruturalmente ameace os portugueses da forma antiga. Devemos o que não podemos pagar, pedimos o que não devíamos ter pedido, gastámos em importações aquilo que era proibitivo e por isso o país torna-se inviável.

Não é que algum exército venha por aí fora: hoje, os países morrem nas secretárias dos eurocratas, perante o alarido da classe política local.

Antigamente o faro do povo não deixava passar os traidores, os vendilhões, os promotores de banha da cobra, os vendidos a interesses estrangeiros. Foi tempo que passou. De há muito para cá, as classes políticas foram tornando-se tão hábeis que lhes podem vender tudo. Foram tornando-se lentamente um povo emudecido, estonteado, com os líderes altamente especializados na alienação. Parece que leram as cartilhas de Sigmund Freud e do jovem Karl, sem que na sua juventude os dedos tenham pegado em Wilhelm Reich (Escuta Zé Ninguém). Não faz parte da sua biblioteca mental, Guerra Junqueiro, Oliveira Martins, mas antes serão certezas tudo o que disse Adam Smith, Stuart Mill.

Os últimos manuais de Marketing Político rolam na suas mãos e escorrem-lhe da boca.

Texto completo na edição de 3 de Maio de 2011

Sábado, 7 de Maio de 2011

As causas da nossa decadência

Não será na próxima legislatura que se iniciará a reforma
Recentemente, na mesa ao lado da minha, assisti a uma conversa entre um grupo de amigos que, partindo do princípio aceite por todos de que o futebol inglês era o único verdadeiramente espectacular do ponto de vista do adepto, ou seja, um futebol corrido, sem tempos mortos e sem anti-jogo, sugeriam uma série de alterações às leis do futebol e aos regulamentos, por forma a que, também, em Portugal, se pudesse usufruir de espectáculos idênticos.

Foi, nesta altura, que decidi interromper a conversa para fazer uma simples pergunta: “Mas as leis do futebol não são iguais em Inglaterra e em Portugal?” Pois é, então, parece que o problema não há-de estar nas leis.
No entanto, podem ter a certeza de que, se a FIFA entregasse aos portugueses a gestão do futebol, em vez das 17 leis do jogo, hoje teríamos vários códigos com milhares de artigos, os quais, por sua vez, haviam de remeter para regulamentos que ainda estariam por elaborar ou já estavam revogados ou semi-revogados. E o mais certo era, neste momento, todos os campeonatos estarem suspensos à espera que o Tribunal Constitucional decidisse se o facto de os jogadores entrarem em campo com o pé direito ou de se benzerem poria em causa o princípio da igualdade ou ofenderia o princípio de laicidade do jogo de futebol. Para já não falar nas alterações contínuas das terminologias: os "pontapés de canto" passariam a chamar-se "pontapés de esquina" e, no ano seguinte, "corners de esquina", e no seguinte "esquinas de pontapés", "pontapés de corner", "pontapés de ângulo", "pontapés de esguelha"... até se esgotar a capacidade inventiva do legislador, altura em que se regressava ao "pontapé de canto".

Este é que é o nosso grande problema estrutural: pensarmos que os problemas se resolvem sentados numa cadeira a fazer leis e regulamentos e a mudar os nomes às coisas. Ora, este país só terá solução quando, durante três legislaturas sucessivas (no mínimo), os nossos deputados se reunirem três semanas por mês para rasgar leis e uma semana para fazer pequenos acertos e correcções no sentido de simplificar e tornar mais claras as poucas que se salvarem do caixote do lixo.

Infelizmente, ainda não vai ser na próxima legislatura que se vai iniciar a única grande reforma estrutural de que o país precisa porque só já vejo por aí políticos de lápis em punho a imaginar-se no poleiro a redigir os compêndios legislativos das salvíficas reformas estruturais com aquele ar radiante de poeta que se prepara para escrever um poema épico.
Santana-Maia Leonardo
Advogado 
 http://amar-abrantes.blogs.sapo.pt/

Sexta-feira, 6 de Maio de 2011

Um Estado de Direito

Uma peça de teatro no banco dos réus
Hoje, 3 de Maio, será julgado o processo dos sobrinhos do Major Silva Pais, último director da Polícia Internacional de Defesa do Estado, PIDE, contra os ex-director artístico do Teatro Nacional Dona Maria II, Carlos Fragateiro, o seu adjunto, José Manuel Castanheira, e ainda a autora da peça “A Filha Rebelde”, Margarida Fonseca Santos.

O processo movido pelos sobrinhos baseia-se basicamente no facto de Silva Pais ser dado na peça como um dos autores morais da morte de Humberto Delgado. Como Silva Pais nunca foi condenado por um tribunal no crime de homicídio de Delgado os autores do processo acusam os citados de ofensa à memória da pessoa de seu tio, Major Silva Pais, falecido em 1981, antes do processo Delgado ter chegado ao fim.

Curiosamente alguma esquerda levanta-se contra a enormidade de uma acção como estas chegar a julgamento. Na internet no facebook, pessoas como Garcia Pereira, bloquistas, comunistas e socialistas desgrenham os cabelos e vociferam contra este processo. Dizem estes senhores que sentar Fragateiro, Margarida Santos e Castanheira no “banco dos réus” é um crime contra a liberdade de expressão e as conquistas do 25 de Abril: um crime contra a democracia!

Mas o absurdo disto tudo é estes senhores não se darem conta de que aquilo que apregoam é exactamente a condenação da democracia e do Estado de Direito, para além de uma intolerável pressão sobre um tribunal, que deve julgar de forma livre e atendendo apenas aos factos. Se um cidadão fosse coartado de apresentar uma causa a tribunal por motivos ideológicos criar-se-ia uma situação semelhante à de regimes como o de Hitler, Mussolini ou Estaline. É precisamente a liberdade e a independência dos tribunais que são o garante da democracia e do Estado de Direito.

Foi precisamente por essa liberdade que se bateram os homens a que estes desgrenhados e vociferantes de hoje chamam pais ideológicos... mas ao defenderem que cidadãos não possam apresentar uma causa em tribunal por razões ideológicas estes senhores assumem-se de facto como verdadeiros herdeiros de Estaline, Mao Tsé Tung e Pol Pot. O que constitui o âmago da democracia é precisamente a igualdade de todos perante a lei e isso estende-se aos herdeiros do Major Silva Pais. O tribunal decidirá e depois se falará.
Manuel Silveira da Cunha

Quarta-feira, 4 de Maio de 2011

Contrasistema: Abstenção - O grande obstáculo à mudança

"A abstenção nada resolverá. Deixará tudo na mesma".
Para impedir a punição de grande parte do eleitorado, são tipos da esfera socialista a pregar a abstenção, para evitar que a indignação e a livre vontade dos Portugueses definam outra opção de Governo que os ponha “no olho da rua”. Desta vez, a necessidade de MUDANÇA obriga a que não se fique em casa. Obriga a quebrar a rotina, o hábito da abstenção, e a agir pela positiva.

Obviamente que o que está a suceder ao País, não é só culpa do Partido Socialista. Se os socialistas, após dois fracassos anteriores, voltaram ao Governo da República pela terceira vez, foi porque alguém votou de maneira a pô-los lá.

Quase todos esses, de boa-fé, acredito. Mas esquecidos das duas vezes anteriores – Mário Soares e o pântano de António Guterres – ou então pensando que à terceira, com Sócrates, as coisas poderiam ser diferentes.

E estamos como estamos.

Bem como houve outras pessoas que, com a sua atitude, também permitiram que os socialistas alcançassem o Governo e nos colocassem na presente situação. Falo dos abstencionistas. Ao não votar, deixaram que os socialistas tivessem pelo menos uma maioria relativa que lhes facultou a ocupação do Estado.

Resultado, tal como nós todos, quer os que votaram socialismo, quer os que não foram votar, cada um destes arca também, na sua vida familiar e pessoal, com os encargos e com as dificuldades que a governação socialista abateu sobre cada português.

As pessoas até se podem enganar, qualquer ser humano o pode. Agora é momento de o corrigir, e afastar os que não mereceram a confiança de muitos que lha depositaram. Como também acredito que muitos dos que se abstêm, não o fazem por mera preguiça, ou por nem sequer terem consciência do que de tão grave está em jogo numas eleições.

Abstêm-se, porque pensam ser uma atitude correcta face ao que os desgosta.

Só que, no caso português, deu no que deu. Foi pior.

Desta vez, a necessidade de MUDANÇA obriga a que não se fique em casa. Obriga a quebrar a rotina, o hábito da abstenção, e a agir pela positiva. Agir pela positiva, é tomar uma decisão de voto que efectivamente sirva para um novo Governo, diferente do destes socialistas, que traduza a MUDANÇA inadiável que Portugal necessita.

A abstenção nada resolverá. Deixará tudo na mesma.

Texto completo na edição de 03 de Maio de 2011
por Alberto João Jardim 

Terça-feira, 3 de Maio de 2011