Terça-feira, 31 de Julho de 2012
Quarta-feira, 25 de Julho de 2012
José Hermano Saraiva (1919-2012)
A morte bateu à porta daquele de quem os portugueses conheciam os gestos, a voz e a sabedoria: José Hermano Saraiva - o homem que se confunde com a História - faleceu aos 92 anos. Foi considerado, por um programa da RTP, o vigésimosexto português mais importante de toda a História do País. As manifestações públicas de condolências e homenagem não se fizeram esperar, ou não se estivesse a falar de um homem que uniu o País em redor da História e do património português. Uma dessas personalidades foi o politólogo Adelino Maltez. “Como decano de uma escola onde ele foi o melhor professor de introdução ao Direito de toda a nossa história centenária, quero homenageá-lo como autor de uma brilhante síntese da nossa aventura como povo. Falei com ele uma só vez, em 17 de Abril de 1969, em Coimbra. Era presidente da biblioteca do meu liceu e apresentei a minha reivindicação ao ministro pela falta de livros. Talvez traumatizado pela inauguração do edifício das Matemáticas, alguns minutos depois, eis que, passadas semanas, cumpriu aquilo que tinha prometido aos putos. Chegou mesmo uma carrada de livros”, recorda.
Na área do Direito, Adelino Maltez sublinha o inestimável contributo prestado por Saraiva. “Poucos irão referir certa bibliografia jurídica de José Hermano Saraiva. Mas é indispensável a releitura de “Introdução ao Estudo do Direito”, bem como “Apostilha Crítica ao Projecto de Código Civil”. Só depois é que se consagrou como historiador, mas as suas páginas são do mais brilhante que pode ser registado na história do Direito português. Tive a honra, décadas depois, de ser seu sucessor como docente e, contra o que era a directoria, registei-o, sem amnésia. Quem ler as respectivas memórias, entenderá esta observação”. Uma amnésia muitas vezes nascida da paixão partidária, já que o historiador nunca negou o seu afecto por Salazar. “Uma pátria é apenas uma comunidade de significações partilhadas. Saraiva foi uma delas. E sempre teve a honra de se dizer salazarista, logo, sempre esteve acima dos adesivos e vira-casacas salazarentos. Nem por isso um antisalazarista o deixava de ouvir e de com ele aprender a sermos”, regista Adelino Maltez.
[Para ler na íntegra na edição desta semana de "O Diabo"]
Terça-feira, 24 de Julho de 2012
Primeira página, edição de 24 de Julho de 2012
Paulo Morais: Parlamento é o centro da corrupção em Portugal :: Relvas faz as delícias dos humoristas :: José Hermano Saraiva: Uma vida pela História
Sexta-feira, 20 de Julho de 2012
Relvas
É sabido que Miguel Relvas é o homem forte do actual primeiro-ministro. Passos Coelho não teria chegado onde chegou sem a preciosa ajuda do seu amigo que agora é o seu ministro-Adjunto e dos Assuntos Parlamentares. Ele manobra bem a máquina laranja e sabe como mover-se internamente.
Mas o caldo entornou-se. Relvas começou a ser incómodo e o recente caso da sua licenciatura conseguida num ano, com toda a polémica que se gerou, só veio agravar a situação. O mal-estar que provoca chega ao partido, à coligação e ao Parlamento. Por isso, são cada vez mais as vozes que sugerem que Passos Coelho se livre de Relvas para “lavar a cara”. Talvez fosse melhor, mas já se percebeu que esta é uma hipótese muito difícil de se concretizar. O primeiro-ministro, por enquanto, mantém o silêncio. Até quando?
Talvez até ao próximo “caso”. A quantas polémicas conseguirá Relvas sobreviver?
FRA DIAVOLO
FRA DIAVOLO
Quarta-feira, 18 de Julho de 2012
Como analisa a actual situação na Síria?
Responde Armando Marques Guedes, Professor na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa
A situação síria é complicadíssima. Tanto nacional como internacionalmente. Internamente não é certo que se consiga sem uma fragmentação do país resolver uma situação político-militar que adquiriu contornos de uma pré-guerra civil. Internacionalmente qualquer decisão se vê dificultada pela oposição da Rússia a uma queda do regime, que imobiliza o Conselho de Segurança das Nações Unidas. Há compreensível pouca vontade de Israel em ter um vizinho instável devido aos braços de ferro entre o Irão, a Turquia, a Liga Árabe e a comunidade ocidental. A situação, em todo o caso, é politicamente insustentável, já que toas as tentativas de mediação têm falhado. O próprio Kofi Annan parece ter deixado de acreditar na boa fé do regime e a espiral de violência continua.
Responde Armando Marques Guedes, Professor na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa
A situação síria é complicadíssima. Tanto nacional como internacionalmente. Internamente não é certo que se consiga sem uma fragmentação do país resolver uma situação político-militar que adquiriu contornos de uma pré-guerra civil. Internacionalmente qualquer decisão se vê dificultada pela oposição da Rússia a uma queda do regime, que imobiliza o Conselho de Segurança das Nações Unidas. Há compreensível pouca vontade de Israel em ter um vizinho instável devido aos braços de ferro entre o Irão, a Turquia, a Liga Árabe e a comunidade ocidental. A situação, em todo o caso, é politicamente insustentável, já que toas as tentativas de mediação têm falhado. O próprio Kofi Annan parece ter deixado de acreditar na boa fé do regime e a espiral de violência continua.
Terça-feira, 17 de Julho de 2012
Sexta-feira, 13 de Julho de 2012
Verão
Sabemos que chegou o Verão pelo início da miséria informativa nos meios de comunicação social. Depois do campeonato europeu de futebol, que enchia jornais até à náusea, são agora os temas estivais que dominam.
Felizmente – jornalisticamente falando, claro – há uma mega- -greve dos médicos e o País continua em crise, porque de resto é só “palha para encher”. Não fossem as estações do ano cíclicas, temos as recorrentes reportagens do início da praia, com entrevistas a um qualquer barrigudo no Algarve, ou à sua companheira sentada na geleira. Também não faltam as coberturas intensivas dos festivais de Verão, com as doutas opiniões de adolescentes embriagados sobre os grupos em cartaz, as condições do ‘camping’, ou os estafados comentários de índole sexual.
Para terminar – porque o assunto rende sempre –, as novas contratações dos clubes de futebol. E assim lá vamos, com um calor de estalar, para mais uma ‘silly season’...
FRA DIAVOLO
FRA DIAVOLO
Quarta-feira, 11 de Julho de 2012
Como prevê o futuro geopolítico do Norte de África?
Responde António Marques Bessa, Professor Catedrático do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa
Todo o espaço geopolítico do Norte de África, submetido à pressão norte-americana e da democracia, resultará num barril de pólvora para o ventre mole da Europa, vide Portugal, Espanha, Itália, Grécia e Balcãs. Isto significa que só quem não conhece o Norte de África é que pode fazer vaticínios seguros sobre o mesmo. Não passam de um bando de tribos desorganizadas armadas em Estado, que acabarão na mãos de senhores da guerra islâmicos e agressivos ou nas mãos da irmandade muçulmana. Este foi o preço da destabilização do Norte de África, mas que não tardará muito tempo a chegar ao vizinho Marrocos.
Responde António Marques Bessa, Professor Catedrático do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa
Todo o espaço geopolítico do Norte de África, submetido à pressão norte-americana e da democracia, resultará num barril de pólvora para o ventre mole da Europa, vide Portugal, Espanha, Itália, Grécia e Balcãs. Isto significa que só quem não conhece o Norte de África é que pode fazer vaticínios seguros sobre o mesmo. Não passam de um bando de tribos desorganizadas armadas em Estado, que acabarão na mãos de senhores da guerra islâmicos e agressivos ou nas mãos da irmandade muçulmana. Este foi o preço da destabilização do Norte de África, mas que não tardará muito tempo a chegar ao vizinho Marrocos.
Terça-feira, 10 de Julho de 2012
Primeira página, edição de 10 de Julho de 2012
Rendimento Social de Inserção: Acabou-se a mama! :: O Caso Relvas: A história completa :: Português ligado à al-Qaeda preso na Somália
Sexta-feira, 6 de Julho de 2012
Tolerâncias
Muito se ouve falar no Islão como religião da “paz” (devíamos antes dizer submissão) e da “tolerância”. É óbvio que o mundo muçulmano não é todo igual, mas acontece que os islamitas contrariam claramente essa ideia. Quem se lembra da destruição das estátuas dos Budas de Bamiyan, no Afeganistão, pelos ‘taliban’? Construídos na rocha no século V, foram considerados como “ídolos” pelo regime wahhabita.
Agora, a história repete-se. Os islamitas que controlam o Norte do Mali estão a destruir os mausoléus de Tombuctu, cidade Património Mundial desde 1988, incluída na lista dos bens em risco pelo comité do património mundial da UNESCO. De tal forma é uma acção deliberada, que o porta-voz do grupo, com ligações à Al-Qaeda, avisou que “o Ansar Dine vai destruir todos os mausoléus da cidade. Todos os mausoléus, sem excepção”.
Devemos estar atentos, em especial numa altura em que os islamitas ganham cada vez mais poder em vários países e perto da Europa.
FRA DIAVOLO
FRA DIAVOLO
Quinta-feira, 5 de Julho de 2012
Como comenta o facto de os portugueses terem subscrito
perto de 1000 milhões de euros em obrigações de empresas
portuguesas em poucos meses?
Responde Camilo Lourenço, jornalista da área económica
Se virmos que a remuneração dos certificados de aforro é de 0,8 por cento, ou a dos depósitos a prazo que dá entre três a cinco por cento, os sete por cento oferecidos são mais atractivos. Como as empresas estão com dificuldades de se financiar junto da banca, recorrem à população. As pessoas confiam nestas empresas por considerarem que são boas e bem geridas. O que não quer izer que não haja riscos, como tudo na vida. Mas, pesando os prós e os contras, vêem aqui uma boa opção.
Responde Camilo Lourenço, jornalista da área económica
Se virmos que a remuneração dos certificados de aforro é de 0,8 por cento, ou a dos depósitos a prazo que dá entre três a cinco por cento, os sete por cento oferecidos são mais atractivos. Como as empresas estão com dificuldades de se financiar junto da banca, recorrem à população. As pessoas confiam nestas empresas por considerarem que são boas e bem geridas. O que não quer izer que não haja riscos, como tudo na vida. Mas, pesando os prós e os contras, vêem aqui uma boa opção.
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